domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pense assim: existe uma corda. Essa corda só permanece esticada porque existem duas pessoas, uma em cada ponta segurando ela. E chove, passa uma tempestade e fica difícil se manter segurando ela, mas as duas pessoas continuam ali. E faz muito, muito calor e as mãos ficam machucadas, mas as duas pessoas seguem firmes. E as pernas doem de ficar em pé, mas elas persistem. E mais tempestades passam e elas não largam a corda. Essa vontade toda de não largar a corda parte das duas pessoas, independente de obstáculos, de problemas e dificuldades, elas não desistem, pois, de alguma forma, aquela corda as mantêm ligadas, não as deixam largar também uma da outra. Porém, no meio do caminho, uma das duas começa a pensar que não vale a pena estar ali segurando aquela corda, pensa que, enquanto ali chove, em algum lugar deve haver sol, enquanto ali faz sol demais, em algum lugar há ar fresco. E pensa também que há mais do que aquela pessoa para ela estar ligada. Pensa que talvez aquilo não seja necessário, e perde a vontade de continuar segurando aquela corda. E sim, ela sabe que largar a corda estraga tudo. Por outro lado, a outra pessoa sabe que vale a pena segurar firme e não largar. Sabe o quanto é importante dar valor as coisas verdadeiras e permanecer segurando firme a corda para não largar nada de mão. Sabe também que, embora exista todo um mundo, as pessoas não são descartáveis e substituíveis. Sabe que mesmo havendo mil tempestades, havendo companhia tudo é mais
fácil. E então ela pega toda sua vontade e segue firme segurando aquela corda para não ver nada cair ou rachar. Após algum tempo, a primeira pessoa diz que vai então soltar a corda e ir embora. Assim, sem mais nem menos, sem se importar e nem levar em conta o quanto é importante ali. A segunda pessoa chora, implora por sua permanência durante dias, argumenta, tenta mudar a ideia da outra, mas é tudo em vão. Passado mais alguns dias, a segunda pessoa, já tão afetada pela indiferença da primeira, percebe a coisa mais importante de todas: ela não pode querer segurar a corda pelas duas, ela não pode ter vontade pelas duas. Se a outra quer ir, tudo bem, porque quando algo chega em um ponto onde é necessário implorar-se sem ter cometido erros, é porque já passou do seu tempo. E então, a segunda pessoa disse que iria ela soltar a corda, porque por mais que isso cortasse seu coração, ela não teria mais como provar a outra que estaria cometendo um erro; deveria deixar a vida mostrar isso a ela. Sozinha ela não aguentaria. Teve a sua vontade morta pela indiferença da outra pessoa, mas ficou tranquila porque até onde podia, fez tudo para a corda não ser largada. Enquanto a outra pessoa, soltou a corda, vagou pelo mundo e depois de um tempo percebeu que ali era seu lugar, que aquela pequena corda fazia falta e que nem todas maravilhas do mundo afora compensariam isso. Mas são escolhas, e a corda já não existia mais; e a corda, nunca mais existiria. E, relações humanas em geral, precisam que as duas pontas queiram segurar a corda até o fim para se manterem vivas.

2 comentários:

  1. Nossa, adorei! Realmente mostra como uma relação deve ser. Ambas as partes devem querer levar a relação a diante, mesmo com obstáculos. Não dá para amar sozinho.

    ResponderExcluir