"Eu não sei porque, mas eu preciso de ti. Assim, de qualquer jeito, de qualquer forma, em qualquer momento. Não é que tenha uma explicação racional, eu apenas preciso. De uma maneira simples, direta e confusa. Atrapalhada e perdida em tudo que eu posso sentir, sem ter certeza nem do meu próprio segundo, eu consigo a apoteótica certeza de que sim, eu preciso de ti. O que eu preciso de ti? Qualquer coisa. Desde que seja tu, desde que seja vindo de ti, com esse olhar que me deixa na maior confusão que eu poderia me meter. É noite. Aliás, é madrugada. É um tanto quanto óbvio que eu deveria estar dormindo, mas explica isso pra minha cabeça e o meu coração. Eles são tolos e só sabem ficar acordados pensando que eu preciso de ti. Necessidade besta; necessidade grande."
'E ela lembra de todas as palavras e promessas que o mundo já ofereceu a ela. E, depois disso, ela lembra de todas as palavras e promessas que queria que você tivesse dito a ela. Porque até hoje nenhuma daquelas todas ditas conseguiram preencher o vazio dos sentimentos que habita nela. Habitava. Mesmo que nunca tenhas dito ou feito tudo aquilo que ela desejava de ti, bastou te encontrar para o vazio se transforma em cheio. Cheio como a imensidão do mar, do céu e o brilho do sol e da lua. Para ela nada teria mais significado do que a tua simples existência. A falta de jeito ao segurar a mão dela, o sorriso nervoso no primeiro beijo, as palavras não ditas e entregues por um olhar... Tudo o que indicaria defeito, ela enxergou como lindo, belo, perfeito. A perfeição em meio aos jeitos e trejeitos que tanto a prendem. E não importa se um dia tu foi embora, porque ela só lembra que um dia tu voltaste e falaste:
- Eu ainda quero.
E, com a maior certeza do mundo, ela respondeu:
- Eu sempre quis.'